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Max

 

 

 

   As emoções que nos despertam os epysodios da guerra européa são, muitas vezes, abalos inuteis causados por noticias falsas.

   Uma vez, telegrammas officiosos noticiaram a morte do heróico Max Linder. Os cinematographos tomaram um ar sombrio e reeditaram as fitas curiosas do heroe, a cujas proezas, o publico compungido, assistia chorando de tanto rir. Oscar Lopes, bordou, numa fina chronica, uma linda coroa de rosas cheias de espinhos e, severamente, depol-a sobre a memoria do rei das gargalhadas. Dias depois de tudo isso, uma noticia alegre desmentio o boato triste: Max não morreu, Max não entrou em batalha, Max não vestio farda mas serve a pátria como chauffeur do governo, em Bordeaux. Em seguida um jornal de Paris trouxe ás nossas plagas a nova extranha de que Max é hungaro [*].

   Quando, no conceito dos brasileiros, a figura jocosa de Max está reduzida a um chauffeur-hungaro do governo francez, chega este telegramma de Paris: «Restabelecido do grave ferimento que recebeu na batalha do Aisne, o cómico Max Linder voltou ás fileiras do exercito.»

   Em que ficamos?! Max Linder morreu ou é hungaro? Foi ferido ou é chauffeur? Está em Bordeaux ou na linha de combate? (Careta, 12.12.1914)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Note: Max also was "declared" a Russian (Jew!) with the name of Markus Goldstein, who has a brother fighting in the Russian army (Libausche Zeitung, 16.10.1914 [russ. Kal., 3.10.14]); long before the war he was "declared" a Brazilian (Fon-Fon, 2.12.12, Gazeta de Noticias, 17.6.12, A Federação, 3.10.1914); but most frequently, he was "declared" a German (e.g.: Amersfoortsch Dagblad, 28.9.1914; Pester Lloyd, 19.9.1914), with three brothers fighting in the German army (Luxemburger Bürger-Zeitung, 1.10.1914). Sadly, it seems that these absurd remarks were believed in by enough people, to force Max into issueing a statement, declaring that he was indeed born a Frenchman.(Le Journal, 17.4.1915)