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Max Linder brasileiro

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   Os senhores sabiam que Max Linder, o surprehendente rei do riso, era brasileiro? Não? Pois é provavel que o seja, e, neste caso, podem acceitar os nossos parabens sinceros.

   Pois é. E dizem que Max Linder, rei da galhofa, principe do panno branco dos cinemas, nasceu alli, pertinho, bem junto do Equador, na terra quente do Pará. Somos, assim, um povo bem feliz, porque um nosso irmão, um filho destes tropicos ardentes, do escaldadiço Pará, tem feito rir a todo o mundo, desde, talvez, o lord britanico, secco o aprumado naquella attitude secular que se não desmanchou nem deante da Magna Carta, até ao negrinho confuso da Africa, meio nú com tanga, assistindo ao desenrolar de uma fita no principal cinema de Angola, Congo ou Benguela.

   Mas, será? Nós imaginamos que sim. Max Linder tem, palavra de honra, qualquer cousa de brasileiro na brasa dos olhos, na gaiatice de um sorriso. Porque nós temos os olhos ardentes e o sorriso brejeiro. Depois, os senhores comprehendem, que diabo! Max é um famoso pulador e nós, os brasileiros somos macacos, está provado que somos macacos.

   Provado por muita gente que nào é argentina...

   Ora, estes tres predicados, olhos quentes, riso gaiato e pulo alto, são qualidades bem brasileiras, bem nossas, e Max é famoso naquelle geito de audar aos pulinhos, saracoteiando, torcendo, bamboleando, fazendo rir.

   Si os senhores acceitam Max como pratricio, que gloria para todos, neste tempo modorrento e anormal de tristezas mais profundas que a face de um sacerdote copta! Que intenso luzimento e intenso orgulho fazer desabrochar um riso nos labios humanos! Nós poderiamos até fazer aqui uma longa e solida dissertação sobre o riso, e ir buscal-o com sciencia e profundidade no bom funccionamento do baço, na firmeza das suas funcçòes. Mas não queremos, preferimos cantar louvoures a Max, e affirmar que elle é mesmo brasileiro, porque assim teremos com orgulho mais em um patrícios famoso.

   «E a Europa, desta vez, (mais uma vez) curvou-se ante o Brasil»... (Gazeta de Noticias, 17.6.1913)