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A saude de Max Linder

 

 

 

   Aos frequentadores de cinematographos, que tanto se interessam pelo rei do riso e tanto o apreciam, offerecemos a leitura da seguinte carta, traduzida do "Comœdia”, jornal parisiense. Como muito bem verão por ella, Max Linder alem de gestos tem humour.

   «Caríssimo "Comœdia" — Far-me-ás o grande obséquio de dizer uma vez por todas (ao menos, assim o espero), que ainda não morri.

   Na verdade, não sei quem tem interesse em divulgar este sinistro boato, mas é a-sombroso que de dois annos para cá tanta gente já me haja matado.

   Meu cirurgião, o dr. Di Chiara e eu, com toda a energia, protestamos. Vou indo maravilhosamente bem daqui a oito dias levantar-me-ei mais solido do que nunca.

   A terceira e ultima operação que acabo de soffrero, estava, ha muito tempo, prevista e não era senão a indispensavel conclusão das pecedentes. Desta vez, espero-o, é a cicatrização definitiva, sem esperanças de reabertura.

   Ser-me-ás bastante gentil, meu caro "Comœdia", se pedires a todos, graças á tua grande publicidade, que me não mandem flores nem corôas, porque todos os dias vejo chegar amigos estupidamente alarmados, e perco muitos negocios sérios por causa deste funebre conto...

   Quando eu morrer... dir-te-hei.

   E enquanto esperas, meu caro “Comœdia", crê nos meua sentimentos affectuosos e devotados, — Max Linder» (O Pharol, 15.9.1911)

 

 

 

 

 

 

Nota: Exatamente o mesmo artigo foi publicado no mesmo jornal, quase quatro anos depois, "A «verve» de Max Linder" em 25 junho de 1915, com apenas as palavras no final «E enquanto esperas, meu caro "Comœdia", ... » sendo trocadas com: «E esse grande acontecimento não está longe, pois vou arriscar a pelle na guerra. Vou ser … “chauffeur” no ministerio da guerra.»