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Max Linder

vem ao Rio

O popular actor dos films é entrevistado

por um jornalista portenho*

 

   Un jornalista portenho obteve ha pouco de Max Linder uma entrevista que passamos a resumir.

   Max Linder declarou ao jornalista que nasceu em Bordeaux. Não foi uma creança terrivel nem mollenga. Foi como todas as creanças da sua edade. Nem muito travesso nem muito cruel. Como collegial, teve sempre boas notas. De todas as disciplinas que estudou a que mais lhe agradou foi a literatura. Amou os versos, as novellas, e, principalmente, os trechos de theatro, que declamava com grandes gestos e de uma maneira francamente promettedora. Datam dahi os seus primeiros successos. Os collegas adoravam-n'o. Os professores olharam-n'o com desconfiança.

   Terminando o curso, os paes trataram de lhe orientar uma carreira. Elle preferia, porém, o theatro. Houve opposição, brigas domesticas. Entrou para o theatro. A principio debutou como amador nos theatrinhos da sua terra.

   Aos vinte annos, julgando-se sufficientemente preparade para divertir o grande publico, partiu para Paris, estréando como cançonetista num café-cantante. Explorou todos os generos.

   Nessa época, já tendo alcançado uma certa notoriedade, foi convidado pela casa Pathé para representar para as pelliculas. As fitas desse tempo não passavam de cincoenta metros, ou pouco mais. Receioso de pôr o seu nome de artista nos cartazes, escondia-se sob um pseudonymo. Mas o publico, que já o conhecia, descobriu-o. E como o cinematographo se foi impondó ao publico e os artistas, que «posávam» para as fitas, começaram a annunciar-se com os seus proprios nomes, elle os imitou. Sua popularidade cresceu. E' elle quem cria os assumptos, escreve os episodios e enseja os seus auxiliares. Agora já faz scenas que se desenrolam através de fitas de mil metros.

   Max Linder tem trinta annos. Não tem domicilia fixo. Ora está em Paris, ora no Egypto, ora em Tokio, conforme as fantasias do seu capricho.

   Brevemente virá até á America do Sul, demorando-se alguns dias no Rio de Janeiro, attraido pela curiosidade das suas bellezas naturaes.

 

M. Max Linder

O comico Max Linder, universalmente conhecido

 

   E' solteiro, e casar-se-ia de boa vontade se encontrasse uma moça de seu gosto e que se dispuzesse a acompanhar-lhe os passos nessa vida nomade e aventureira.

   Ganha actualmente 300.000 francos por anno.

   E' elegante, fina, distincto, cavalheiresco e notavelmente bonito – termina o jornalista portenho as suas apreciações sobre o impagavel comico. (A Noite, 22.4.1913)

 

 

 

 

 

* O "jornalista porteño" certamente é Javier Bueno, cuja "Entrevista con Max Linder" foi publicado em CARAS Y CARETAS em 12 de abril de 1913.