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MAX LINDER

 

   O comico francez está actualmente em Paris. Entrevistado por uma revista franceza queixou-se amargamente da gente dos Estados Unidos que não só não supporta o film francez, como mesmo desdenha as suas producções, delle, Max Linder.

   "Nos trinta e seis mezes que passei nos Estados Unidos, diz elle, apezar da amizade de artistas eminentes como Douglas Fairbanks e Charlie Chaplin, só pude produzir tres films: "Sete annos de urucubaca", "Sé minha mulher", e a parodia dos "Tres mosqueteiros", de Douglas. Destas tres producções só pude vender uma nos Estados Unidos, "Sete annos de urucubaca", que foi lançada com tanta má vontade ao mercado, que redundou em fracasso. Tive de trazer os outros dois para a França, onde já vendi um. O outro vae ser explorado pela "United Artists".

   Sobre o estado da cinematographia, diz Max Linder:

   "Seriamos de certo muito superiores aos americanos se possuíssemos os mesmos meios technicos que elles. Mas a julgar pelo que vi antes de minha partida para a America — e parece não ter havido na minha ausencia, grandes mudanças— somos bem inferiores em tres coisas: studios, illuminação e artistas.

   Deixem-me precisar. Na America ha studios de trezentos metros de comprimento por setenta ou oitenta de largura. Na America, os studios são completamente fechados, sem vidraças, como aqui se usa, para que entre a luz externa. Quando se quer filmar á luz natural vae-se para fóra; para scenas de interior, despende-se uma quantidade enorme de electricidade.

   E demais, é mister dizer: em França não possuímos artistas de cinema: temos excellentes artistas de theatro que occasionalmente posam para cinema; já se vê que não é a mesma coisa.

   No theatro os gestos, as attitudes têm que ser exaggerados; sobrios no cinema. O theatro e o cinema são coisas differentes.

   Nos Estados Unidos existe uma verdadeira carreira artística cinematographica, com estrellas numerosas de ambos os sexos e mais numerosas artistas ainda da segunda plana. O autor ou o director de scena, pode achar sempre o artista de que ha mister para interpretar tal ou qual papel.

   Quanto aos processos de realização technica, affirmar a superioridade dos americanos sobre nós, nessa parte, é repetir coisa bem sabida.

   Posso citar a proposito a reconstituição do castello feudal, feito para o film de Douglas "Robin Hood". Nesse gigantesco castello, certos aposentos têm 250 metros de comprimento. Uma chaminé attinge uma altura de dois andares... e essas decorações ficaram promptas em vinte e cinco a trinta dias.

   Entre nós quanto tempo se levaria para conseguir tal?"

   Passando a falar dos argumentos, criticou os americanos exaltando os francezes fazendo a seguinte observação: "Os defeitos do film americano são tamanhos, o numero de argumentos ridículos ou infantis cresceu de tal sorte, que o publico começa já a aborrecer-se do cinema. E' uma coisa chocante constatar o vasio que se faz nas salas de cinema. Penso que em 1922 o publico que frequenta o cinema diminuiu em relação ao de 1921 em uma proporção de pelo menos 33%.

   Os editores americanos ver-se-ão obrigados a fazer appello á boa producção estrangeira para variar o seu programma e a só editar films de primeira ordem." (Para todos, 7.10.1922)